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Anestesia e Cirurgia Plástica: o que você precisa saber

anestesia

Quando se pensa em cirurgia plástica um dos assuntos mais discutidos é a anestesia e todos os mitos em torno dela.

Isso provavelmente ocorre devido ao medo inerente de “perder” por alguns minutos ou horas o controle da própria vida e à “entrega” do seu corpo aos inteiros cuidados de outra pessoa (o anestesista) durante o tempo de duração da cirurgia.

Anestesia significa ausência de sensações ou ausência de consciência reversível ou ainda “sensibilidade temporariamente bloqueada ou removida”. Em outras palavras, a anestesia é um estado farmacologicamente induzido de amnésia, analgesia e perda de responsividade, reflexos e resposta ao estresse.

A anestesia, por incrível que possa parecer é uma ciência recente. Sem dúvida foi uma das inovações clínicas que revolucionaram a história da cirurgia. Até a metade do século 19, a única forma de diminuir a dor conhecida, era à base de álcool, ervas medicinais e outras substancias com propriedades sedativas e analgésicas administrados por via oral. Muitos procedimentos cirúrgicos foram realizados sob embriaguez e milhares de vidas foram levadas pela falta de coragem para o ato cirúrgico. O éter surgiu por volta de 1850. Nessa época, os pacientes aguentavam dores extraordinárias e muitas vezes recorriam à religião, buscando a força necessária para suportar a dor, que era vista como uma punição de Deus. As técnicas foram então aprimoradas e hoje, graças à possibilidade de bloquear a dor e de rebaixar o nível de consciência de forma segura, as cirurgias podem ser feitas com índice altíssimo de segurança.

Em cirurgia plástica, as mais utilizadas são a anestesia local, a raqui, a peridural, e a geral. A sedação é etapa fundamental para o conforto psicológico do paciente e é praticada na grande maioria das vezes.

Para a escolha da anestesia, levam-se vários fatores em consideração: o tipo de cirurgia a ser realizada, a extensão e duração da mesma, o perfil psicológico do paciente, a presença ou não de comorbidades (doenças pré-existentes), o estado atual do paciente e por fim a preferência do anestesista e do próprio cirurgião. Nesse contexto, a consulta pré-anestésica assume papel primordial. Trata-se de uma consulta com a equipe anestésica dias antes do procedimento cirúrgico. Nessa consulta, o anestesista terá a chance de avaliar detalhadamente características do paciente como um todo e mensurar riscos anestésicos e cirúrgicos. É o momento também de definir o método anestésico mais adequado para cada cirurgia específica, levando em consideração as particularidades do organismo de cada um.

Existem basicamente quatro tipos de anestesia. São elas:

  • Anestesia local: utilizada para retirar a dor em procedimentos em uma área pequena e específica.
  • Anestesia regional: os anestésicos locais são injetados em torno de nervos maiores para anestesiar uma área mais ampla, como a peridural, raqui anestesia e bloqueios de nervos periféricos.
  • Anestesia geral: são administrados medicamentos que promovem perda total de consciência, retirando assim a dor. Nesse tipo de anestesia é necessário intubação traqueal e a conexão do paciente ao aparelho de anestesia para que sejam administrados gases anestésicos e oxigênio continuamente.
  • Sedação intravenosa: os medicamentos são injetados através de um acesso intravenoso para prevenir dor e ansiedade. É frequentemente usada em associação à anestesia local e regional para proporcionar mais conforto ao paciente.

Em geral, as anestesias loco-regionais proporcionam um conforto maior no pós- operatório, uma vez que diminuem o risco de náuseas, vômitos, atelectasias, dor e trombose além de proporcionarem alta hospitalar precoce, portanto são as técnicas anestésicas de minha preferência.

Ressalto que a escolha da técnica anestésica e do profissional anestesista é um importante item a ser considerado no pré-operatório. Riscos sempre existem em quaisquer áreas da medicina, mas é, sim, possível diminuí-los adotando condutas conscientes e preventivas, visando sempre a segurança do paciente. Acho que quanto menos invasivo melhor, pois neste delicado e complexo universo anestésico e cirúrgico contar com o imprevisível é sem dúvida o mais prudente.

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